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SONHANDO COM A UTOPIA

Como todos nós sabemos, no fim da Idade Média, teve início na Itália o Renascimento, que marcou o começo dos tempos modernos. Filósofos, teólogos, artistas, historiadores e escritores – ditos humanistas – privilegiaram o conhecimento das chamadas Humanidades, pelo estudo da cultura clássica e dos autores da Antiguidade.

Dentre os grandes humanistas, lembremos Erasmo de Rotterdam, na Holanda e Thomas Morus, na Inglaterra. O primeiro, mesmo vivendo quando viajar era difícil e penoso, foi estudar grego na Inglaterra, em Oxford, onde se tornou amigo de Morus; residiu também em Paris e visitou a Itália renascentista.

Nos intervalos de suas andanças, Erasmo organizou edições de autores clássicos; escreveu livros de teologia e de filosofia, sendo o mais conhecido o Encomium Moriae - Elogio da Loucura, sátira ao pedantismo e dogmatismo dos teólogos, bem como à ignorância e credulidade das massas.

Thomas Morus era homem poderoso e intelectual de renome. Manteve correspondência com Erasmo, que fez publicar o livro do amigo, cujo longo título em latim é resumido e conhecido como Utopia. Nele, Morus retratou uma sociedade ideal, que existiria num ilha imaginária a que chamou de Utopia. Exercitou igualmente o espírito de crítica e apontou os abusos predominantes no seu tempo: a pobreza injusta, a riqueza imerecida, as punições drásticas, a mortandade insensata das guerras.

Na sociedade imaginada por Morus – inspirado nas ideias de Platão - os homens teriam os bens em comum, trabalhariam seis horas por dia e disporiam de tempo para as atividades intelectuais e a fruição da vida. Seriam cultivadas as virtudes da sabedoria, da moderação, da fortaleza e da justiça; e haveria tolerância para todos os credos. Deixariam de existir duas instituições onipresentes na Europa do seu tempo: os conventos e as guerras. Detalhe elucidativo é que, ao invés do ouro, o metal precioso seria o ferro - “porque é útil”.

Por motivos diversos, Thomas Morus caiu em desgraça perante o soberano inglês, Henrique VIII; preso e condenado à morte, foi decapitado na Torre de Londres (1535). Por essa época, ao Brasil chegavam as primeiras expedições de reconhecimento enviadas pela Coroa portuguesa; de igual modo, aconteciam incursões de piratas franceses, em busca de pau para tinturaria. Os índios ainda conservavam a feição primitiva e tudo parecia inocência, nas terras de Pindorama.

Na Europa, contudo, os tempos eram de turbulência. Logo viria a Reforma e sua antítese, a Contra – Reforma. As guerras de religião reacenderiam o fanatismo, postergando para dias incertos a utopia da tolerância e da justiça.

Cinco séculos depois, aqui estamos nós, brasileiros – herdeiros um tanto periféricos da civilização ocidental - perdidos entre escândalos, roubalheiras e mistificações. De minha parte, creio que sou dos que menos sofrem diante das revelações escabrosas que a mídia nos traz em tempo real. Não me sinto responsável nem frustrada com os escândalos e roubalheiras do (des)governo vigente, que jamais teve o meu voto. Até porque nunca esperei seriedade e competência de políticos que tinham e têm a marca da mediocridade.

Há um tédio no ar. Certo cansaço dolorido que vem da repetição de denúncias de crimes, cujos protagonistas são personagens desse fantástico show que nos azucrina os dias, tornando claro que a maioria de nós – eleitores e cidadãos brasileiros – foi (continua sendo?) um rebanho de tolos. É como se o tempo houvesse parado – e um atualizado Elogio da Loucura se faça necessário, aqui e agora.

Prefiro sonhar, tecer minha própria Utopia, ilha da fantasia onde todos tenham, efetivamente, acesso à educação de boa qualidade, que os instrumentalize para a vida; em que se cuide do futuro, priorizando as crianças, sem demagogia nem enganação. Um país em que seja assegurada a todos uma vida digna. E onde os dirigentes quando falarem nos deixem tranquilos e confiantes, sem essa angústia que se somatiza no estômago, diante de tanta vergonha que recai sobre nós, brasileiros, mesmo sobre os que jamais praticaram ou compactuaram com a desonestidade e o crime.

Na minha Utopia, todos serão incentivados a trabalhar e, de fato, trabalharão; com orgulhosa altivez, recusarão esmolas que se transmudam em moeda de troca, o dinheiro público comprando votos, num arremedo de democracia aviltada.

Na minha Utopia, sonho com administradores competentes: será pedir muito? Sonho com dirigentes honestos: será demais? Sonho com políticos que ultrapassem o aqui e agora – e que tenham a coragem de enxergar além do imediato.

Sonhar não faz mal. Quem sabe, em algum lugar deste nosso amado País, a tessitura do destino está a traçar os caminhos que nos levarão à sociedade mais justa que desejamos e esperamos – presente na raiz da esperança, que teima em sobreviver.

Tantos séculos depois de Thomas Morus, volta a Utopia com sua feição de denúncia e de advertência: é preciso romper com as algemas do pensamento único, da mediocridade encastelada, da intolerância dogmática. É preciso deixar de lado a ganância do ouro – e valorizar o ferro, matéria prima dos instrumentos de trabalho.

 

(Publicado no jornal "Diário da Manhã" de Goiânia em 08 de agosto de 2017)

Como todos nós sabemos, no fim da Idade Média, teve início na Itália o Renascimento, que marcou o começo dos tempos modernos. Filósofos, teólogos, artistas, historiadores e escritores – ditos humanistas – privilegiaram o conhecimento das chamadas Humanidades, pelo estudo da cultura clássica e dos autores da Antiguidade.

Dentre os grandes humanistas, lembremos Erasmo de Rotterdam, na Holanda e Thomas Morus, na Inglaterra. O primeiro, mesmo vivendo quando viajar era difícil e penoso, foi estudar grego na Inglaterra, em Oxford, onde se tornou amigo de Morus; residiu também em Paris e visitou a Itália renascentista.

Nos intervalos de suas andanças, Erasmo organizou edições de autores clássicos; escreveu livros de teologia e de filosofia, sendo o mais conhecido o Encomium Moriae - Elogio da Loucura, sátira ao pedantismo e dogmatismo dos teólogos, bem como à ignorância e credulidade das massas.

Thomas Morus era homem poderoso e intelectual de renome. Manteve correspondência com Erasmo, que fez publicar o livro do amigo, cujo longo título em latim é resumido e conhecido como Utopia. Nele, Morus retratou uma sociedade ideal, que existiria num ilha imaginária a que chamou de Utopia. Exercitou igualmente o espírito de crítica e apontou os abusos predominantes no seu tempo: a pobreza injusta, a riqueza imerecida, as punições drásticas, a mortandade insensata das guerras.

Na sociedade imaginada por Morus – inspirado nas ideias de Platão - os homens teriam os bens em comum, trabalhariam seis horas por dia e disporiam de tempo para as atividades intelectuais e a fruição da vida. Seriam cultivadas as virtudes da sabedoria, da moderação, da fortaleza e da justiça; e haveria tolerância para todos os credos. Deixariam de existir duas instituições onipresentes na Europa do seu tempo: os conventos e as guerras. Detalhe elucidativo é que, ao invés do ouro, o metal precioso seria o ferro - “porque é útil”.

Por motivos diversos, Thomas Morus caiu em desgraça perante o soberano inglês, Henrique VIII; preso e condenado à morte, foi decapitado na Torre de Londres (1535). Por essa época, ao Brasil chegavam as primeiras expedições de reconhecimento enviadas pela Coroa portuguesa; de igual modo, aconteciam incursões de piratas franceses, em busca de pau para tinturaria. Os índios ainda conservavam a feição primitiva e tudo parecia inocência, nas terras de Pindorama.

Na Europa, contudo, os tempos eram de turbulência. Logo viria a Reforma e sua antítese, a Contra – Reforma. As guerras de religião reacenderiam o fanatismo, postergando para dias incertos a utopia da tolerância e da justiça.

Cinco séculos depois, aqui estamos nós, brasileiros – herdeiros um tanto periféricos da civilização ocidental - perdidos entre escândalos, roubalheiras e mistificações. De minha parte, creio que sou dos que menos sofrem diante das revelações escabrosas que a mídia nos traz em tempo real. Não me sinto responsável nem frustrada com os escândalos e roubalheiras do (des)governo vigente, que jamais teve o meu voto. Até porque nunca esperei seriedade e competência de políticos que tinham e têm a marca da mediocridade.

Há um tédio no ar. Certo cansaço dolorido que vem da repetição de denúncias de crimes, cujos protagonistas são personagens desse fantástico show que nos azucrina os dias, tornando claro que a maioria de nós – eleitores e cidadãos brasileiros – foi (continua sendo?) um rebanho de tolos. É como se o tempo houvesse parado – e um atualizado Elogio da Loucura se faça necessário, aqui e agora.

Prefiro sonhar, tecer minha própria Utopia, ilha da fantasia onde todos tenham, efetivamente, acesso à educação de boa qualidade, que os instrumentalize para a vida; em que se cuide do futuro, priorizando as crianças, sem demagogia nem enganação. Um país em que seja assegurada a todos uma vida digna. E onde os dirigentes quando falarem nos deixem tranquilos e confiantes, sem essa angústia que se somatiza no estômago, diante de tanta vergonha que recai sobre nós, brasileiros, mesmo sobre os que jamais praticaram ou compactuaram com a desonestidade e o crime.

Na minha Utopia, todos serão incentivados a trabalhar e, de fato, trabalharão; com orgulhosa altivez, recusarão esmolas que se transmudam em moeda de troca, o dinheiro público comprando votos, num arremedo de democracia aviltada.

Na minha Utopia, sonho com administradores competentes: será pedir muito? Sonho com dirigentes honestos: será demais? Sonho com políticos que ultrapassem o aqui e agora – e que tenham a coragem de enxergar além do imediato.

Sonhar não faz mal. Quem sabe, em algum lugar deste nosso amado País, a tessitura do destino está a traçar os caminhos que nos levarão à sociedade mais justa que desejamos e esperamos – presente na raiz da esperança, que teima em sobreviver.

Tantos séculos depois de Thomas Morus, volta a Utopia com sua feição de denúncia e de advertência: é preciso romper com as algemas do pensamento único, da mediocridade encastelada, da intolerância dogmática. É preciso deixar de lado a ganância do ouro – e valorizar o ferro, matéria prima dos instrumentos de trabalho.

 

(Publicado no jornal "Diário da Manhã" de Goiânia em 08 de agosto de 2017)

Como todos nós sabemos, no fim da Idade Média, teve início na Itália o Renascimento, que marcou o começo dos tempos modernos. Filósofos, teólogos, artistas, historiadores e escritores – ditos humanistas – privilegiaram o conhecimento das chamadas Humanidades, pelo estudo da cultura clássica e dos autores da Antiguidade.

Dentre os grandes humanistas, lembremos Erasmo de Rotterdam, na Holanda e Thomas Morus, na Inglaterra. O primeiro, mesmo vivendo quando viajar era difícil e penoso, foi estudar grego na Inglaterra, em Oxford, onde se tornou amigo de Morus; residiu também em Paris e visitou a Itália renascentista.

Nos intervalos de suas andanças, Erasmo organizou edições de autores clássicos; escreveu livros de teologia e de filosofia, sendo o mais conhecido o Encomium Moriae - Elogio da Loucura, sátira ao pedantismo e dogmatismo dos teólogos, bem como à ignorância e credulidade das massas.

Thomas Morus era homem poderoso e intelectual de renome. Manteve correspondência com Erasmo, que fez publicar o livro do amigo, cujo longo título em latim é resumido e conhecido como Utopia. Nele, Morus retratou uma sociedade ideal, que existiria num ilha imaginária a que chamou de Utopia. Exercitou igualmente o espírito de crítica e apontou os abusos predominantes no seu tempo: a pobreza injusta, a riqueza imerecida, as punições drásticas, a mortandade insensata das guerras.

Na sociedade imaginada por Morus – inspirado nas ideias de Platão - os homens teriam os bens em comum, trabalhariam seis horas por dia e disporiam de tempo para as atividades intelectuais e a fruição da vida. Seriam cultivadas as virtudes da sabedoria, da moderação, da fortaleza e da justiça; e haveria tolerância para todos os credos. Deixariam de existir duas instituições onipresentes na Europa do seu tempo: os conventos e as guerras. Detalhe elucidativo é que, ao invés do ouro, o metal precioso seria o ferro - “porque é útil”.

Por motivos diversos, Thomas Morus caiu em desgraça perante o soberano inglês, Henrique VIII; preso e condenado à morte, foi decapitado na Torre de Londres (1535). Por essa época, ao Brasil chegavam as primeiras expedições de reconhecimento enviadas pela Coroa portuguesa; de igual modo, aconteciam incursões de piratas franceses, em busca de pau para tinturaria. Os índios ainda conservavam a feição primitiva e tudo parecia inocência, nas terras de Pindorama.

Na Europa, contudo, os tempos eram de turbulência. Logo viria a Reforma e sua antítese, a Contra – Reforma. As guerras de religião reacenderiam o fanatismo, postergando para dias incertos a utopia da tolerância e da justiça.

Cinco séculos depois, aqui estamos nós, brasileiros – herdeiros um tanto periféricos da civilização ocidental - perdidos entre escândalos, roubalheiras e mistificações. De minha parte, creio que sou dos que menos sofrem diante das revelações escabrosas que a mídia nos traz em tempo real. Não me sinto responsável nem frustrada com os escândalos e roubalheiras do (des)governo vigente, que jamais teve o meu voto. Até porque nunca esperei seriedade e competência de políticos que tinham e têm a marca da mediocridade.

Há um tédio no ar. Certo cansaço dolorido que vem da repetição de denúncias de crimes, cujos protagonistas são personagens desse fantástico show que nos azucrina os dias, tornando claro que a maioria de nós – eleitores e cidadãos brasileiros – foi (continua sendo?) um rebanho de tolos. É como se o tempo houvesse parado – e um atualizado Elogio da Loucura se faça necessário, aqui e agora.

Prefiro sonhar, tecer minha própria Utopia, ilha da fantasia onde todos tenham, efetivamente, acesso à educação de boa qualidade, que os instrumentalize para a vida; em que se cuide do futuro, priorizando as crianças, sem demagogia nem enganação. Um país em que seja assegurada a todos uma vida digna. E onde os dirigentes quando falarem nos deixem tranquilos e confiantes, sem essa angústia que se somatiza no estômago, diante de tanta vergonha que recai sobre nós, brasileiros, mesmo sobre os que jamais praticaram ou compactuaram com a desonestidade e o crime.

Na minha Utopia, todos serão incentivados a trabalhar e, de fato, trabalharão; com orgulhosa altivez, recusarão esmolas que se transmudam em moeda de troca, o dinheiro público comprando votos, num arremedo de democracia aviltada.

Na minha Utopia, sonho com administradores competentes: será pedir muito? Sonho com dirigentes honestos: será demais? Sonho com políticos que ultrapassem o aqui e agora – e que tenham a coragem de enxergar além do imediato.

Sonhar não faz mal. Quem sabe, em algum lugar deste nosso amado País, a tessitura do destino está a traçar os caminhos que nos levarão à sociedade mais justa que desejamos e esperamos – presente na raiz da esperança, que teima em sobreviver.

Tantos séculos depois de Thomas Morus, volta a Utopia com sua feição de denúncia e de advertência: é preciso romper com as algemas do pensamento único, da mediocridade encastelada, da intolerância dogmática. É preciso deixar de lado a ganância do ouro – e valorizar o ferro, matéria prima dos instrumentos de trabalho.

 

(Publicado no jornal "Diário da Manhã" de Goiânia em 08 de agosto de 2017)

Como todos nós sabemos, no fim da Idade Média, teve início na Itália o Renascimento, que marcou o começo dos tempos modernos. Filósofos, teólogos, artistas, historiadores e escritores – ditos humanistas – privilegiaram o conhecimento das chamadas Humanidades, pelo estudo da cultura clássica e dos autores da Antiguidade.

Dentre os grandes humanistas, lembremos Erasmo de Rotterdam, na Holanda e Thomas Morus, na Inglaterra. O primeiro, mesmo vivendo quando viajar era difícil e penoso, foi estudar grego na Inglaterra, em Oxford, onde se tornou amigo de Morus; residiu também em Paris e visitou a Itália renascentista.

Nos intervalos de suas andanças, Erasmo organizou edições de autores clássicos; escreveu livros de teologia e de filosofia, sendo o mais conhecido o Encomium Moriae - Elogio da Loucura, sátira ao pedantismo e dogmatismo dos teólogos, bem como à ignorância e credulidade das massas.

Thomas Morus era homem poderoso e intelectual de renome. Manteve correspondência com Erasmo, que fez publicar o livro do amigo, cujo longo título em latim é resumido e conhecido como Utopia. Nele, Morus retratou uma sociedade ideal, que existiria num ilha imaginária a que chamou de Utopia. Exercitou igualmente o espírito de crítica e apontou os abusos predominantes no seu tempo: a pobreza injusta, a riqueza imerecida, as punições drásticas, a mortandade insensata das guerras.

Na sociedade imaginada por Morus – inspirado nas ideias de Platão - os homens teriam os bens em comum, trabalhariam seis horas por dia e disporiam de tempo para as atividades intelectuais e a fruição da vida. Seriam cultivadas as virtudes da sabedoria, da moderação, da fortaleza e da justiça; e haveria tolerância para todos os credos. Deixariam de existir duas instituições onipresentes na Europa do seu tempo: os conventos e as guerras. Detalhe elucidativo é que, ao invés do ouro, o metal precioso seria o ferro - “porque é útil”.

Por motivos diversos, Thomas Morus caiu em desgraça perante o soberano inglês, Henrique VIII; preso e condenado à morte, foi decapitado na Torre de Londres (1535). Por essa época, ao Brasil chegavam as primeiras expedições de reconhecimento enviadas pela Coroa portuguesa; de igual modo, aconteciam incursões de piratas franceses, em busca de pau para tinturaria. Os índios ainda conservavam a feição primitiva e tudo parecia inocência, nas terras de Pindorama.

Na Europa, contudo, os tempos eram de turbulência. Logo viria a Reforma e sua antítese, a Contra – Reforma. As guerras de religião reacenderiam o fanatismo, postergando para dias incertos a utopia da tolerância e da justiça.

Cinco séculos depois, aqui estamos nós, brasileiros – herdeiros um tanto periféricos da civilização ocidental - perdidos entre escândalos, roubalheiras e mistificações. De minha parte, creio que sou dos que menos sofrem diante das revelações escabrosas que a mídia nos traz em tempo real. Não me sinto responsável nem frustrada com os escândalos e roubalheiras do (des)governo vigente, que jamais teve o meu voto. Até porque nunca esperei seriedade e competência de políticos que tinham e têm a marca da mediocridade.

Há um tédio no ar. Certo cansaço dolorido que vem da repetição de denúncias de crimes, cujos protagonistas são personagens desse fantástico show que nos azucrina os dias, tornando claro que a maioria de nós – eleitores e cidadãos brasileiros – foi (continua sendo?) um rebanho de tolos. É como se o tempo houvesse parado – e um atualizado Elogio da Loucura se faça necessário, aqui e agora.

Prefiro sonhar, tecer minha própria Utopia, ilha da fantasia onde todos tenham, efetivamente, acesso à educação de boa qualidade, que os instrumentalize para a vida; em que se cuide do futuro, priorizando as crianças, sem demagogia nem enganação. Um país em que seja assegurada a todos uma vida digna. E onde os dirigentes quando falarem nos deixem tranquilos e confiantes, sem essa angústia que se somatiza no estômago, diante de tanta vergonha que recai sobre nós, brasileiros, mesmo sobre os que jamais praticaram ou compactuaram com a desonestidade e o crime.

Na minha Utopia, todos serão incentivados a trabalhar e, de fato, trabalharão; com orgulhosa altivez, recusarão esmolas que se transmudam em moeda de troca, o dinheiro público comprando votos, num arremedo de democracia aviltada.

Na minha Utopia, sonho com administradores competentes: será pedir muito? Sonho com dirigentes honestos: será demais? Sonho com políticos que ultrapassem o aqui e agora – e que tenham a coragem de enxergar além do imediato.

Sonhar não faz mal. Quem sabe, em algum lugar deste nosso amado País, a tessitura do destino está a traçar os caminhos que nos levarão à sociedade mais justa que desejamos e esperamos – presente na raiz da esperança, que teima em sobreviver.

Tantos séculos depois de Thomas Morus, volta a Utopia com sua feição de denúncia e de advertência: é preciso romper com as algemas do pensamento único, da mediocridade encastelada, da intolerância dogmática. É preciso deixar de lado a ganância do ouro – e valorizar o ferro, matéria prima dos instrumentos de trabalho.

 

(Publicado no jornal "Diário da Manhã" de Goiânia em 08 de agosto de 2017)

Como todos nós sabemos, no fim da Idade Média, teve início na Itália o Renascimento, que marcou o começo dos tempos modernos. Filósofos, teólogos, artistas, historiadores e escritores – ditos humanistas – privilegiaram o conhecimento das chamadas Humanidades, pelo estudo da cultura clássica e dos autores da Antiguidade.

Dentre os grandes humanistas, lembremos Erasmo de Rotterdam, na Holanda e Thomas Morus, na Inglaterra. O primeiro, mesmo vivendo quando viajar era difícil e penoso, foi estudar grego na Inglaterra, em Oxford, onde se tornou amigo de Morus; residiu também em Paris e visitou a Itália renascentista.

Nos intervalos de suas andanças, Erasmo organizou edições de autores clássicos; escreveu livros de teologia e de filosofia, sendo o mais conhecido o Encomium Moriae - Elogio da Loucura, sátira ao pedantismo e dogmatismo dos teólogos, bem como à ignorância e credulidade das massas.

Thomas Morus era homem poderoso e intelectual de renome. Manteve correspondência com Erasmo, que fez publicar o livro do amigo, cujo longo título em latim é resumido e conhecido como Utopia. Nele, Morus retratou uma sociedade ideal, que existiria num ilha imaginária a que chamou de Utopia. Exercitou igualmente o espírito de crítica e apontou os abusos predominantes no seu tempo: a pobreza injusta, a riqueza imerecida, as punições drásticas, a mortandade insensata das guerras.

Na sociedade imaginada por Morus – inspirado nas ideias de Platão - os homens teriam os bens em comum, trabalhariam seis horas por dia e disporiam de tempo para as atividades intelectuais e a fruição da vida. Seriam cultivadas as virtudes da sabedoria, da moderação, da fortaleza e da justiça; e haveria tolerância para todos os credos. Deixariam de existir duas instituições onipresentes na Europa do seu tempo: os conventos e as guerras. Detalhe elucidativo é que, ao invés do ouro, o metal precioso seria o ferro - “porque é útil”.

Por motivos diversos, Thomas Morus caiu em desgraça perante o soberano inglês, Henrique VIII; preso e condenado à morte, foi decapitado na Torre de Londres (1535). Por essa época, ao Brasil chegavam as primeiras expedições de reconhecimento enviadas pela Coroa portuguesa; de igual modo, aconteciam incursões de piratas franceses, em busca de pau para tinturaria. Os índios ainda conservavam a feição primitiva e tudo parecia inocência, nas terras de Pindorama.

Na Europa, contudo, os tempos eram de turbulência. Logo viria a Reforma e sua antítese, a Contra – Reforma. As guerras de religião reacenderiam o fanatismo, postergando para dias incertos a utopia da tolerância e da justiça.

Cinco séculos depois, aqui estamos nós, brasileiros – herdeiros um tanto periféricos da civilização ocidental - perdidos entre escândalos, roubalheiras e mistificações. De minha parte, creio que sou dos que menos sofrem diante das revelações escabrosas que a mídia nos traz em tempo real. Não me sinto responsável nem frustrada com os escândalos e roubalheiras do (des)governo vigente, que jamais teve o meu voto. Até porque nunca esperei seriedade e competência de políticos que tinham e têm a marca da mediocridade.

Há um tédio no ar. Certo cansaço dolorido que vem da repetição de denúncias de crimes, cujos protagonistas são personagens desse fantástico show que nos azucrina os dias, tornando claro que a maioria de nós – eleitores e cidadãos brasileiros – foi (continua sendo?) um rebanho de tolos. É como se o tempo houvesse parado – e um atualizado Elogio da Loucura se faça necessário, aqui e agora.

Prefiro sonhar, tecer minha própria Utopia, ilha da fantasia onde todos tenham, efetivamente, acesso à educação de boa qualidade, que os instrumentalize para a vida; em que se cuide do futuro, priorizando as crianças, sem demagogia nem enganação. Um país em que seja assegurada a todos uma vida digna. E onde os dirigentes quando falarem nos deixem tranquilos e confiantes, sem essa angústia que se somatiza no estômago, diante de tanta vergonha que recai sobre nós, brasileiros, mesmo sobre os que jamais praticaram ou compactuaram com a desonestidade e o crime.

Na minha Utopia, todos serão incentivados a trabalhar e, de fato, trabalharão; com orgulhosa altivez, recusarão esmolas que se transmudam em moeda de troca, o dinheiro público comprando votos, num arremedo de democracia aviltada.

Na minha Utopia, sonho com administradores competentes: será pedir muito? Sonho com dirigentes honestos: será demais? Sonho com políticos que ultrapassem o aqui e agora – e que tenham a coragem de enxergar além do imediato.

Sonhar não faz mal. Quem sabe, em algum lugar deste nosso amado País, a tessitura do destino está a traçar os caminhos que nos levarão à sociedade mais justa que desejamos e esperamos – presente na raiz da esperança, que teima em sobreviver.

Tantos séculos depois de Thomas Morus, volta a Utopia com sua feição de denúncia e de advertência: é preciso romper com as algemas do pensamento único, da mediocridade encastelada, da intolerância dogmática. É preciso deixar de lado a ganância do ouro – e valorizar o ferro, matéria prima dos instrumentos de trabalho.

 

(Publicado no jornal "Diário da Manhã" de Goiânia em 08 de agosto de 2017)

Como todos nós sabemos, no fim da Idade Média, teve início na Itália o Renascimento, que marcou o começo dos tempos modernos. Filósofos, teólogos, artistas, historiadores e escritores – ditos humanistas – privilegiaram o conhecimento das chamadas Humanidades, pelo estudo da cultura clássica e dos autores da Antiguidade.

Dentre os grandes humanistas, lembremos Erasmo de Rotterdam, na Holanda e Thomas Morus, na Inglaterra. O primeiro, mesmo vivendo quando viajar era difícil e penoso, foi estudar grego na Inglaterra, em Oxford, onde se tornou amigo de Morus; residiu também em Paris e visitou a Itália renascentista.

Nos intervalos de suas andanças, Erasmo organizou edições de autores clássicos; escreveu livros de teologia e de filosofia, sendo o mais conhecido o Encomium Moriae - Elogio da Loucura, sátira ao pedantismo e dogmatismo dos teólogos, bem como à ignorância e credulidade das massas.

Thomas Morus era homem poderoso e intelectual de renome. Manteve correspondência com Erasmo, que fez publicar o livro do amigo, cujo longo título em latim é resumido e conhecido como Utopia. Nele, Morus retratou uma sociedade ideal, que existiria num ilha imaginária a que chamou de Utopia. Exercitou igualmente o espírito de crítica e apontou os abusos predominantes no seu tempo: a pobreza injusta, a riqueza imerecida, as punições drásticas, a mortandade insensata das guerras.

Na sociedade imaginada por Morus – inspirado nas ideias de Platão - os homens teriam os bens em comum, trabalhariam seis horas por dia e disporiam de tempo para as atividades intelectuais e a fruição da vida. Seriam cultivadas as virtudes da sabedoria, da moderação, da fortaleza e da justiça; e haveria tolerância para todos os credos. Deixariam de existir duas instituições onipresentes na Europa do seu tempo: os conventos e as guerras. Detalhe elucidativo é que, ao invés do ouro, o metal precioso seria o ferro - “porque é útil”.

Por motivos diversos, Thomas Morus caiu em desgraça perante o soberano inglês, Henrique VIII; preso e condenado à morte, foi decapitado na Torre de Londres (1535). Por essa época, ao Brasil chegavam as primeiras expedições de reconhecimento enviadas pela Coroa portuguesa; de igual modo, aconteciam incursões de piratas franceses, em busca de pau para tinturaria. Os índios ainda conservavam a feição primitiva e tudo parecia inocência, nas terras de Pindorama.

Na Europa, contudo, os tempos eram de turbulência. Logo viria a Reforma e sua antítese, a Contra – Reforma. As guerras de religião reacenderiam o fanatismo, postergando para dias incertos a utopia da tolerância e da justiça.

Cinco séculos depois, aqui estamos nós, brasileiros – herdeiros um tanto periféricos da civilização ocidental - perdidos entre escândalos, roubalheiras e mistificações. De minha parte, creio que sou dos que menos sofrem diante das revelações escabrosas que a mídia nos traz em tempo real. Não me sinto responsável nem frustrada com os escândalos e roubalheiras do (des)governo vigente, que jamais teve o meu voto. Até porque nunca esperei seriedade e competência de políticos que tinham e têm a marca da mediocridade.

Há um tédio no ar. Certo cansaço dolorido que vem da repetição de denúncias de crimes, cujos protagonistas são personagens desse fantástico show que nos azucrina os dias, tornando claro que a maioria de nós – eleitores e cidadãos brasileiros – foi (continua sendo?) um rebanho de tolos. É como se o tempo houvesse parado – e um atualizado Elogio da Loucura se faça necessário, aqui e agora.

Prefiro sonhar, tecer minha própria Utopia, ilha da fantasia onde todos tenham, efetivamente, acesso à educação de boa qualidade, que os instrumentalize para a vida; em que se cuide do futuro, priorizando as crianças, sem demagogia nem enganação. Um país em que seja assegurada a todos uma vida digna. E onde os dirigentes quando falarem nos deixem tranquilos e confiantes, sem essa angústia que se somatiza no estômago, diante de tanta vergonha que recai sobre nós, brasileiros, mesmo sobre os que jamais praticaram ou compactuaram com a desonestidade e o crime.

Na minha Utopia, todos serão incentivados a trabalhar e, de fato, trabalharão; com orgulhosa altivez, recusarão esmolas que se transmudam em moeda de troca, o dinheiro público comprando votos, num arremedo de democracia aviltada.

Na minha Utopia, sonho com administradores competentes: será pedir muito? Sonho com dirigentes honestos: será demais? Sonho com políticos que ultrapassem o aqui e agora – e que tenham a coragem de enxergar além do imediato.

Sonhar não faz mal. Quem sabe, em algum lugar deste nosso amado País, a tessitura do destino está a traçar os caminhos que nos levarão à sociedade mais justa que desejamos e esperamos – presente na raiz da esperança, que teima em sobreviver.

Tantos séculos depois de Thomas Morus, volta a Utopia com sua feição de denúncia e de advertência: é preciso romper com as algemas do pensamento único, da mediocridade encastelada, da intolerância dogmática. É preciso deixar de lado a ganância do ouro – e valorizar o ferro, matéria prima dos instrumentos de trabalho.

 

(Publicado no jornal "Diário da Manhã" de Goiânia em 08 de agosto de 2017)

Como todos nós sabemos, no fim da Idade Média, teve início na Itália o Renascimento, que marcou o começo dos tempos modernos. Filósofos, teólogos, artistas, historiadores e escritores – ditos humanistas – privilegiaram o conhecimento das chamadas Humanidades, pelo estudo da cultura clássica e dos autores da Antiguidade.

Dentre os grandes humanistas, lembremos Erasmo de Rotterdam, na Holanda e Thomas Morus, na Inglaterra. O primeiro, mesmo vivendo quando viajar era difícil e penoso, foi estudar grego na Inglaterra, em Oxford, onde se tornou amigo de Morus; residiu também em Paris e visitou a Itália renascentista.

Nos intervalos de suas andanças, Erasmo organizou edições de autores clássicos; escreveu livros de teologia e de filosofia, sendo o mais conhecido o Encomium Moriae - Elogio da Loucura, sátira ao pedantismo e dogmatismo dos teólogos, bem como à ignorância e credulidade das massas.

Thomas Morus era homem poderoso e intelectual de renome. Manteve correspondência com Erasmo, que fez publicar o livro do amigo, cujo longo título em latim é resumido e conhecido como Utopia. Nele, Morus retratou uma sociedade ideal, que existiria num ilha imaginária a que chamou de Utopia. Exercitou igualmente o espírito de crítica e apontou os abusos predominantes no seu tempo: a pobreza injusta, a riqueza imerecida, as punições drásticas, a mortandade insensata das guerras.

Na sociedade imaginada por Morus – inspirado nas ideias de Platão - os homens teriam os bens em comum, trabalhariam seis horas por dia e disporiam de tempo para as atividades intelectuais e a fruição da vida. Seriam cultivadas as virtudes da sabedoria, da moderação, da fortaleza e da justiça; e haveria tolerância para todos os credos. Deixariam de existir duas instituições onipresentes na Europa do seu tempo: os conventos e as guerras. Detalhe elucidativo é que, ao invés do ouro, o metal precioso seria o ferro - “porque é útil”.

Por motivos diversos, Thomas Morus caiu em desgraça perante o soberano inglês, Henrique VIII; preso e condenado à morte, foi decapitado na Torre de Londres (1535). Por essa época, ao Brasil chegavam as primeiras expedições de reconhecimento enviadas pela Coroa portuguesa; de igual modo, aconteciam incursões de piratas franceses, em busca de pau para tinturaria. Os índios ainda conservavam a feição primitiva e tudo parecia inocência, nas terras de Pindorama.

Na Europa, contudo, os tempos eram de turbulência. Logo viria a Reforma e sua antítese, a Contra – Reforma. As guerras de religião reacenderiam o fanatismo, postergando para dias incertos a utopia da tolerância e da justiça.

Cinco séculos depois, aqui estamos nós, brasileiros – herdeiros um tanto periféricos da civilização ocidental - perdidos entre escândalos, roubalheiras e mistificações. De minha parte, creio que sou dos que menos sofrem diante das revelações escabrosas que a mídia nos traz em tempo real. Não me sinto responsável nem frustrada com os escândalos e roubalheiras do (des)governo vigente, que jamais teve o meu voto. Até porque nunca esperei seriedade e competência de políticos que tinham e têm a marca da mediocridade.

Há um tédio no ar. Certo cansaço dolorido que vem da repetição de denúncias de crimes, cujos protagonistas são personagens desse fantástico show que nos azucrina os dias, tornando claro que a maioria de nós – eleitores e cidadãos brasileiros – foi (continua sendo?) um rebanho de tolos. É como se o tempo houvesse parado – e um atualizado Elogio da Loucura se faça necessário, aqui e agora.

Prefiro sonhar, tecer minha própria Utopia, ilha da fantasia onde todos tenham, efetivamente, acesso à educação de boa qualidade, que os instrumentalize para a vida; em que se cuide do futuro, priorizando as crianças, sem demagogia nem enganação. Um país em que seja assegurada a todos uma vida digna. E onde os dirigentes quando falarem nos deixem tranquilos e confiantes, sem essa angústia que se somatiza no estômago, diante de tanta vergonha que recai sobre nós, brasileiros, mesmo sobre os que jamais praticaram ou compactuaram com a desonestidade e o crime.

Na minha Utopia, todos serão incentivados a trabalhar e, de fato, trabalharão; com orgulhosa altivez, recusarão esmolas que se transmudam em moeda de troca, o dinheiro público comprando votos, num arremedo de democracia aviltada.

Na minha Utopia, sonho com administradores competentes: será pedir muito? Sonho com dirigentes honestos: será demais? Sonho com políticos que ultrapassem o aqui e agora – e que tenham a coragem de enxergar além do imediato.

Sonhar não faz mal. Quem sabe, em algum lugar deste nosso amado País, a tessitura do destino está a traçar os caminhos que nos levarão à sociedade mais justa que desejamos e esperamos – presente na raiz da esperança, que teima em sobreviver.

Tantos séculos depois de Thomas Morus, volta a Utopia com sua feição de denúncia e de advertência: é preciso romper com as algemas do pensamento único, da mediocridade encastelada, da intolerância dogmática. É preciso deixar de lado a ganância do ouro – e valorizar o ferro, matéria prima dos instrumentos de trabalho.

 (Publicado no jornal "Diário da Manhã" de Goiânia em 08 de agosto de 2017)