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Democracia, ética e participação política; de Saramago, ao absolutismo do Himalaia

Democracia, ética e participação política; de Saramago, ao absolutismo do Himalaia

Com uma forma única de se expor, o grande escritor luso José Saramago já havia cogitado sobre os problemas e as falhas da cultura ocidental ao “cultuar a democracia como a uma santa no altar”. É evidente tal abordagem em sua obra ao mostrar como o “véu da civilidade” se perde tão facilmente sob qualquer mudança brusca – por motivação política, econômica ou privada. Em “O ensaio sobre a cegueira” a falta do sentido da visão, revolveu aquela sociedade aos seus instintos mais primitivos.

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Assim, fica visível como ocorre facilmente essas inversões de valores, por exemplo, como acontece em qualquer crise econômica. Peguemos como exemplo a crise de 1929, que proporcionou a ascensão de regimes totalitários em todo o mundo. Valendo-se da participação popular democrática, partidos alcançaram amplos poderes, sem qualquer oposição, ou com repressão total aos que tentavam se opor, resultando em guerras, perseguições e genocídios.

Daí, pergunta-se: será a democracia um caminho de fato útil para a consolidação de um sistema político pautado na moral, justiça e honestidade? Pela abrangência popular que possui, poderia se dizer que sim, porém se a sociedade se mantiver alienada e ver-se sujeita à manipulação, a democracia se torna – como diz o referido escritor – uma “tirania da maioria”.

Em contrapartida, vê-se que esses valores estão preservados e são mantidos com certo louvor em um improvável sistema de governo: uma monarquia absolutista – oposta à britânica. No reino do Butão, nas encostas do Himalaia, o penúltimo rei foi responsável pela criação e manutenção de um único ministério: o da Felicidade, sua principal preocupação foi a interferência dos valores ocidentais sobre sua cultura milenar, após ele abri as portas desse pequeno país para o mundo há menos de duas décadas.

Perante a exemplos como esse – incluindo-se Suécia, Noruega, Dinamarca – levanta-se o posicionamento: ideais de um sistema político honesto e ético não estariam mais relacionados com valores sociais e individuais, culturais do que os da ponta da cadeia que são as representatividades que ocupam vagas dentro de qualquer sistema de governo/político? Parece um questionamento obvio, mas perante atitudes como os do plebiscito brasileiro de 1993, em que se propôs perante consulta pública qual o sistema político o Brasil adotaria – republica ou, monarquia / presidencialismo, ou parlamentarismo, fica claro a falta de identidade política em que população e políticos se veem.

Se necessário fosse haver uma definição, ficaria nítido que identidade política é uma realidade dinâmica, em constante e construção em que ética em qualquer sistema político, principalmente na democracia é consequência da necessidade da população reconhecer suas falhas e de fato participar das pequenas decisões em casa, nas pequenas decisões de lideranças locais e assim saber como cobrar das mais altas esferas de poder.

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