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ESPERAR O QUE?

Eis que já chegamos à segunda semana de 2018. Mal nos acostumamos com o ano novo, o tempo corre e nos atropela. Passou-se o dia dos Reis Magos de tantas lembranças e saudades – como naquele ano em que minha filha pequenina perguntou: “Por que eles são magros, mamãe?”  E o irmão mais velho respondeu, implicando: “Eles comem pouco e não são gordos como você !” 

No dia 6 de janeiro, incorporavam-se as imagens dos Santos Reis ao presépio: Baltazar, Gaspar e Belchior que vieram “do leste”, seguindo a estrela de Belém. O relato é do evangelista Mateus, que refere a viagem e a chegada dos reis – magos ou profetas? - a fim de reverenciarem o Deus Menino. Algum tempo se tinha passado desde o Seu nascimento; até porque foram longas as distâncias percorridas e trágicos os imprevistos do percurso. Com efeito: ao saberem que Herodes Antipas estava a procurar o Infante para mandar matá-lo, os Magos buscaram caminhos alternativos, confundiram os esbirros do rei judeu e finalmente chegaram à gruta de Belém, onde se ajoelharam perante o Menino na manjedoura, presenteando-O com dádivas valiosas. Ouro – presente que se dava aos reis; incenso - cuja fumaça sobe aos céus como as orações; e mirra – resina aromática usada no embalsamamento, com vistas à imortalidade.

Segundo a tradição, Belchior era um ancião e vinha de Ur, na Caldeia; Gaspar contava somente vinte anos, sendo proveniente de distantes terras do Mar Cáspio; Baltazar, homem maduro, era mouro e viajava desde a Arábia. Cumpria-se assim o Velho Testamento, que previa o reconhecimento do Messias pelos povos de todo o mundo.

Os presentes trazidas pelos Reis Magos para o Infante teriam inspirado o costume de trocarem-se presentes como parte dos  festejos natalinos, sendo que em algumas regiões do mundo cristão tal ainda acontece em 6 de janeiro. No Brasil, celebra-se a data com cerimônias religiosas e tradições populares, como os Reisados e as Folias dos Santos Reis, de tão marcante presença na cultura goiana.

Com o Dia de Reis encerra-se o ciclo natalino – muito embora ainda persista certa madorra pachorrenta, que se estende pelas férias escolares, durante o mês de janeiro. Certo é, porém, que agora 2018 chegou, de fato e de direito – e a pergunta que se faz é: o que esperar dele? 

Em termos pessoais, pouco me acena como desejável – saúde e paz me serão bastante nessa altura da vida. No que diz respeito à família, entretanto, são muitas as expectativas e diversificadas as esperanças: de trabalho, de estudo, de realizações pessoais, de viagens e assim por diante.  Família grande é fonte de imprevistos e de novidades: 2017 trouxe-me o primeiro bisneto, Raul, que veio trazendo graça e encanto, na inocência das primeiras semanas de vida. Já cresceu e engordou, nesse milagre que é o desenvolvimento dos recém-nascidos; logo estará sorrindo, dando os bracinhos, balbuciando e fazendo beicinho. Quem sabe uma bisnetinha virá fazer-lhe companhia? Mas que não demore muito para que os bisavós possam carregá-la ao colo...

Do ponto de vista mais geral – inclusive de cidadania – 2018 será decisivo quanto aos rumos que tomará o nosso amado Brasil. Não falta quem esteja pessimista e descrente de tudo; afinal, em 2017 foram reiteradas e desanimadoras as decepções e revelações escandalosas, bem como fatos, imagens e áudios que vão além da imaginação mais delirante. Lembremos algumas delas: a conversa escabrosa de Aécio Neves pedindo dinheiro (empréstimo?) a um dos irmãos da JBS; as fotos das malas e mochilas cheias de reais, euros e dólares de Gedel Vieira Lima; a entrevista de Luislinda Valois se queixando de trabalho escravo... e por aí vai. Isso sem falar na rotina de ameaças e declarações mentirosas do condenado ex-presidente Luiz Inácio Lula de Silva; nos apelos de ódio e de fúria do igualmente condenado José Dirceu; nas rebeliões de policiais e de presidiários... Que Deus nos acuda!

Estamos a dez meses de eleições majoritárias. A despeito de tudo, o país está funcionando, a economia melhora, há uma luz no fim do túnel. É preciso estar atento e vigilante: conversar, convencer, insistir, argumentar; renovar o congresso, melhorar a representação popular. Sobretudo eleger um presidente da República ficha-limpa, que não tenha comprometimento com a desonestidade nem com os desonestos; que seja competente e esclarecido; que tenha bom senso, capacidade de liderança e horizontes abertos para o século XXI.

Quem seria tal pessoa? Esse brasileiro limpo e decente, à altura de liderar o nosso povo – bravo povo que deseja tão somente condições de vida digna e trabalho honesto? Vamos procurar e vamos votar nele. Com a ajuda de Deus que é (continua sendo?) brasileiro.

(Publicado no jornal "Diário da Manhã" de Goiânia em 09  de janeiro de 2017)