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À ÚLTIMA HORA

Respeito e admiro as pessoas que trabalham na terra. Sejam empregados ou funcionários, sejam proprietários rurais – grandes, médios ou pequenos –, “roceiros” são gente que, em contato direto com a natureza, dela absorvem fluidos que se traduzem em autenticidade e generosidade. As exceções confirmam a regra.

Nesse juízo deve pesar a herança de meus antepassados portugueses, que já amanhavam o solo lá na terrinha. Provenientes da Beira Baixa e da região do Minho, eles emigraram para o Brasil; de “sem terra”, passaram a posseiros e sesmeiros.  Aqui continuaram na faina de semear e de colher, de pastorear, de formar fazendas sertão adentro. No mundo novo que desbravavam, esses pioneiros não dispunham de assistência técnica, nem de financiamento, nem de estradas; no braço, abriram caminhos e lutaram pela sobrevivência utilizando-se do instrumental tosco e limitado que levavam consigo.

Muito trabalho, muita garra de homens e mulheres ciosos de seus valores, transmitidos de geração em geração, sobretudo pelo exemplo. Mantinham-se unidos pela língua portuguesa e pelo cristianismo, ainda que este nem sempre integralmente praticado. Só recentemente - há pouco mais de um século – seus descendentes passaram a ter acesso à educação formal, alguns ingressando na burocracia estatal e, outros, nas profissões liberais.

O mundo rural está nas minhas veias.  Nada me encanta mais do que as cores do poente neste Planalto Central, de horizontes vastos e perspectivas infinitas.  Que eu conheci setenta anos atrás, delimitado pelas franjas do mato grosso goiano, enfeitando-se com as cores das quaresmeiras, dos ipês, das caraíbas e dos jacarandás.

De lá para cá muita coisa mudou – e Goiás mudou mais do que tudo. Contrariando a imagem de que seriam atrasados e estupidamente conservadores, os fazendeiros/roceiros empreenderam uma fantástica revolução no campo. Impulsionada por alta tecnologia e pesquisas de ponta, ela se viabilizou pelo arrojo dos proprietários rurais e de seus familiares, que não relutaram em mudar paradigmas e endividar-se para modernizar-se. E saldaram os compromissos com o fruto das colheitas.

Nesta véspera de eleições majoritárias, vem-me à mente a figura do homem do campo goiano e suas valentes mulheres, tão injustamente vilipendiados pela chamada grande mídia. Para essa gente que nunca plantou um pé de couve, fazendeiros são sempre maus, desumanos, espoliadores, insensíveis – o que não é verdade, sendo outro o contexto histórico atual.

Em Goiás, deve eleger-se Governador o médico e senador Ronaldo Caiado, com ampla experiência pessoal e familiar nas lides agropastoris. Como político nacionalmente respeitado, certamente irá governar com honradez e competência.   Correndo o risco de parecer redundante, faço um apelo ao (ainda) candidato: que privilegie e favoreça a economia e a cultura goiana em suas bases agrárias e rurais. Cuidando também em que a euforia do sucesso não permita a desertificação do solo, nem a exaustão das nossas reservas florestais e hídricas. E que – mais do que nunca – o nosso homem do campo e suas famílias tenham salário e moradia compatíveis, bem como acesso à educação, à saúde e a condições dignas de vida. Até porque o merecimento é deles.

 (Publicado no jornal “O POPULAR” de Goiânia em 06 de outubro de 2018)