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A ÚLTIMA ETAPA

Cansei.

Ultrapassei

o cabo da boa esperança.

 

Tanta vida, sonhos,

esperanças e anseios

não vividos,

tantos desapontamentos.

esperas inúteis,

sem sentidos.

 

À frente, nada,

a não ser mais esperas,

talvez sem esperanças.

 

Valeu a pena?

Sim, valeu.

 

Afinal, fiz mais

do que deixei de fazer.

 

Construí meu mundo

levado pela curiosidade,

servo de minha vontade,

sem dizer não a mim mesmo,

sem dizer sim

a quem não quis dizer.

 

Estudei conforme exigências.

Fui muito além.

Construí meu universo,

explorei meus astros

num céu o mais diverso.

 

Jamais me conduziram,

sem ser por obediência às leis,

ao respeito mútuo,

aos ditames do amor verdadeiro,

à lógica dos fatos,

por derradeiro.

 

Rendi-me

à mais nobre das tarefas:

a de ensinar.

Vivi ano a ano a juventude,

um contínuo rejuvenescer.

Senti aqueles olhos atentos,

agradecidos por saber.

 

Alguns fizeram-me mestre

de suas vidas.

Não há riqueza que supere

poder doar-se

aos anseios da mocidade,

à ambição de ser mais,

sempre em busca da verdade.

 

Encontrei a alma nobre,

minha musa inspiradora,

que despertou em minha alma

o mais puro amor de que sou feito.

Deu-me vida, família,

a vida sem defeito,

a que se põe em mil versos,

vindos d’alma,

mesmo no adverso.

 

Sim...

Para a frente, nada,

a não ser

mais esperas,

talvez sem esperanças

mas com ternas e eternas lembranças.