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DAS ORIGENS

Nos últimos anos, reportagens na mídia localizaram e ouviram familiares de presidentes brasileiros, cujos antepassados vieram de regiões distantes do planeta. Assim é que, na década de 1920, o advogado e empresário Pedro Rousseff deixou a terra natal, a pequena Gabrovo, (Bulgária), para radicar-se em Minas Gerais, onde se casou com uma professora. Prosperou como empresário e a filha estudou em um dos mais tradicionais colégios mineiros – o Notre Dame de Sion, de Belo Horizonte. Por vias improváveis, Dilma  Vana Rousseff veio a ser a primeira mulher presidente do Brasil.

Na família de Michel Miguel Elias Temer Lulia, os antepassados deixaram o vilarejo Betabura (Líbano), depois da Primeira Grande Guerra.  O chefe da família foi para o interior de São Paulo e prosperou com o beneficiamento de cereais. Os filhos formaram-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, reduto das elites paulistana e brasileira. Dedicado aos estudos e com pendores literários, Michel especializou-se em Direito Constitucional; ingressou na política e veio a ser deputado federal em várias legislaturas. Elegeu-se vice-presidente da República; consumado o impeachment da titular, sucedeu-a. Em sua cidadezinha, parentes manifestaram-se exultantes com tal honra – e a via principal foi rebatizada como Rua Michel Temer, Presidente do Brasil.

Nas eleições recentemente realizadas, milhões de brasileiros – que formam um dos maiores colégios eleitorais do mundo – viram-se diante da escolha entre um descendente de italianos e outro de libaneses. O primeiro – Jair Messias Bolsonaro –nasceu de família de imigrantes muito humildes.  Tanto o pai, como a mãe, provêm de vilarejos do Vêneto e da Calábria; seus antepassados vieram para o Brasil com levas de trabalhadores que se destinavam às grandes plantações de café. Nas gerações seguintes, seus filhos e netos buscaram pequenos centros urbanos onde sobreviveram com trabalho árduo. Jair Bolsonaro galgou degraus na escala social ao ingressar por concurso na Escola Militar de Agulhas Negras, formando-se oficial do exército. Passando para a reserva, ingressou na política, elegeu-se vereador e deputado federal – e venceu uma eleição atípica. Será o próximo presidente da República. Na Itália, parentes visitados por repórteres e comentaristas mostraram-se orgulhosos do primo distante.

O pai do segundo candidato – Fernando Haddad – chegou ao Brasil em 1947; deveria trazer algum capital, pois se estabeleceu como comerciante atacadista de tecidos na capital paulista. O filho frequentou bons colégios e formou-se em Direito nas tradicionais Arcadas. Foi prefeito da cidade de São Paulo, Ministro da Educação e candidato (derrotado) à Presidência da República – sendo assim guindado à preeminência da elite política brasileira.

Como visto, é rica a lista de presidentes (ou quase) de origem modesta, quando não pobre. Aos nomes relacionados, poderíamos acrescentar Juscelino Kubitscheck, neto de um carpinteiro tcheco; e Ernesto Geisel, filho de um pastor luterano alemão.

Não obstante, com absoluta segurança, comentaristas, politicólogos, sociólogos e quejandos asseguram que as elites brasileiras são fechadas, herméticas e excludentes. Esse mantra se repete nos livros didáticos e nas salas de aula, de tal sorte que as novas gerações crescem com a convicção de que essa é uma verdade irrefutável -  até o advento de Lula, o filho do Brasil! Este, sim, originário do povo e com ele irmanado, teria sido o único presidente que conheceu as dificuldades da vida, pelo que estaria predestinado a conduzir os brasileiros a um paraíso de igualitarismo e justiça social.

Lamentavelmente, deu no que deu.

 

(Publicado no jornal “O POPULAR” de Goiânia em 03 de novembro de 2018)

Nos últimos anos, reportagens na mídia localizaram e ouviram familiares de presidentes brasileiros, cujos antepassados vieram de regiões distantes do planeta. Assim é que, na década de 1920, o advogado e empresário Pedro Rousseff deixou a terra natal, a pequena Gabrovo, (Bulgária), para radicar-se em Minas Gerais, onde se casou com uma professora. Prosperou como empresário e a filha estudou em um dos mais tradicionais colégios mineiros – o Notre Dame de Sion, de Belo Horizonte. Por vias improváveis, Dilma  Vana Rousseff veio a ser a primeira mulher presidente do Brasil.

Na família de Michel Miguel Elias Temer Lulia, os antepassados deixaram o vilarejo Betabura (Líbano), depois da Primeira Grande Guerra.  O chefe da família foi para o interior de São Paulo e prosperou com o beneficiamento de cereais. Os filhos formaram-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, reduto das elites paulistana e brasileira. Dedicado aos estudos e com pendores literários, Michel especializou-se em Direito Constitucional; ingressou na política e veio a ser deputado federal em várias legislaturas. Elegeu-se vice-presidente da República; consumado o impeachment da titular, sucedeu-a. Em sua cidadezinha, parentes manifestaram-se exultantes com tal honra – e a via principal foi rebatizada como Rua Michel Temer, Presidente do Brasil.

Nas eleições recentemente realizadas, milhões de brasileiros – que formam um dos maiores colégios eleitorais do mundo – viram-se diante da escolha entre um descendente de italianos e outro de libaneses. O primeiro – Jair Messias Bolsonaro –nasceu de família de imigrantes muito humildes.  Tanto o pai, como a mãe, provêm de vilarejos do Vêneto e da Calábria; seus antepassados vieram para o Brasil com levas de trabalhadores que se destinavam às grandes plantações de café. Nas gerações seguintes, seus filhos e netos buscaram pequenos centros urbanos onde sobreviveram com trabalho árduo. Jair Bolsonaro galgou degraus na escala social ao ingressar por concurso na Escola Militar de Agulhas Negras, formando-se oficial do exército. Passando para a reserva, ingressou na política, elegeu-se vereador e deputado federal – e venceu uma eleição atípica. Será o próximo presidente da República. Na Itália, parentes visitados por repórteres e comentaristas mostraram-se orgulhosos do primo distante.

O pai do segundo candidato – Fernando Haddad – chegou ao Brasil em 1947; deveria trazer algum capital, pois se estabeleceu como comerciante atacadista de tecidos na capital paulista. O filho frequentou bons colégios e formou-se em Direito nas tradicionais Arcadas. Foi prefeito da cidade de São Paulo, Ministro da Educação e candidato (derrotado) à Presidência da República – sendo assim guindado à preeminência da elite política brasileira.

Como visto, é rica a lista de presidentes (ou quase) de origem modesta, quando não pobre. Aos nomes relacionados, poderíamos acrescentar Juscelino Kubitscheck, neto de um carpinteiro tcheco; e Ernesto Geisel, filho de um pastor luterano alemão.

Não obstante, com absoluta segurança, comentaristas, politicólogos, sociólogos e quejandos asseguram que as elites brasileiras são fechadas, herméticas e excludentes. Esse mantra se repete nos livros didáticos e nas salas de aula, de tal sorte que as novas gerações crescem com a convicção de que essa é uma verdade irrefutável -  até o advento de Lula, o filho do Brasil! Este, sim, originário do povo e com ele irmanado, teria sido o único presidente que conheceu as dificuldades da vida, pelo que estaria predestinado a conduzir os brasileiros a um paraíso de igualitarismo e justiça social.

Lamentavelmente, deu no que deu.

(Publicado no jornal “O POPULAR” de Goiânia em 03 de novembro de 2018)