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FINAL DE ANO

Neste final de ano, tem sido intensa a programação: exposições, palestras, lançamentos de livros, reuniões que têm por finalidade prestigiar e divulgar a cultura, em diferentes manifestações.

Assim é que na Universidade Federal de Goiás foram comemorados os 50 anos do curso de História, ao qual minha vida profissional e pessoal esteve (está) relacionada. Em sessão realizada no Auditório da Faculdade de História, com a presença do Reitor professor doutor Edward Madureira Brasil, foram lembrados os momentos e iniciais e a trajetória desse curso, que já formou aproximadamente 1.700 bacharéis e licenciados, além de pesquisadores, mestres e doutores egressos de seu Programa de Pós-graduação, um dos mais antigos e prestigiados do País.

No despojamento dos começos, viviam-se tempos em que tudo estava por ser feito; a febre do pioneirismo grassava na recém-criada UFG. Com a inauguração de Brasília, iniciava-se o deslocamento do eixo das decisões nacionais. Rompia-se o secular isolamento do vasto Brasil sertanejo – inclusive Goiás.

O curso de História teve origem no Centro de Estudos Brasileiros (extinto em 1964) e na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFG, unidade inovadora como as demais que se criavam no interior do País – sem o tradicionalismo coimbrão, voltadas para áreas do conhecimento até então pouco cultivadas entre nós: História, Filosofia, Sociologia, Antropologia, Letras e suas Literaturas e tantas mais.

O curso de História e Geografia funcionava na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, na Rua 82, esquina com a Rua 85. As condições eram precárias, o espaço exíguo, não havia biblioteca, nem sala de reuniões, nem cantina; faltavam funcionários, a situação dos docentes ainda era incerta. Tínhamos a convicção, todavia, de que tais percalços seriam passageiros – como de fato o foram –, pelo que seguimos em frente, na certeza de que estávamos contribuindo para a formação de quadros docentes e de pesquisadores empenhados na construção de uma sociedade mais justa e mais humana.

Na perspectiva de conhecer a valorizar a história regional, em 1966, realizamos a I Semana de Estudos Históricos, quando foram colhidos depoimentos dos fundadores de Goiânia, sendo o primeiro deles o ex-interventor e ex-governador Pedro Ludovico Teixeira, que tivera recentemente cassados seus direitos políticos. Ele compareceu à FaFi acompanhado da nora, D. Maria de Lourdes Estivalet Teixeira e do primeiro prefeito de Goiânia, professor Venerando de Freitas Borges.   Na presença de numerosa assistência, depois de saudado pelo diretor, professor Egídio Turchi, o ilustre convidado gravou circunstanciado depoimento em fitas cassetes, recurso tecnológico então disponível; o texto seria posteriormente publicado pelo senado federal. Dr. Pedro foi entusiasticamente aplaudido; seguiram-se perguntas, às quais respondeu de forma cordial e bem humorada.

Eis que, tantos anos depois, estive presente no “Café com Pedro”, programado para acontecer no jardim da bela casa –museu, residência do fundador de Goiânia. Constituiu-se em surpresa agradável a impecável organização do evento. Belos corais apresentaram-se e encantaram. Ponto alto foi a palestra/depoimento de Maria Dulce Loyola Teixeira – nora do ex-governador Mauro Borges, com revelações preciosas sobre a história da família, suas origens, seu cotidiano, a vivência de gerações em torno do pai, avô e bisavô, visto em outra face do seu cotidiano.  Texto excelente, pesquisa competente com a utilização de documentação inédita e relevante. Precisa ser publicado e colocado à disposição de pesquisadores, de historiadores e da população em geral.

(Publicado no jornal “O POPULAR” de Goiânia em15 de dezembro de 2018)