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TURISMO EM MANAUS

Turismo é imaginação e um tanto de mistificação. Em uma das vezes em que estive em Manaus, aderi a um grupo de visitantes estrangeiros, com álacres senhoras americanas que usavam vestidos estampados e chapeuzinhos floridos.

Depois de percorrermos o mercado – um mundo fascinante – embarcamos em uma lancha e fomos assistir ao encontro das águas. Fascinados, os gringos e nós, brasileiros, contemplamos aquele espetáculo único e majestoso. No alto, o céu era azul; nas margens distantes, o verde das matas. Indescritível.

No mundo pré-celular de então, câmeras fotográficas eram a bola da vez. Logo os nossos companheiros de passeio as manuseavam entre “ahs” e “ohs” entusiásticos, além de expressões intraduzíveis. Manobras acrobáticas indicavam a disposição de obter ângulos caprichados. No entusiasmo, alguns se jogaram nas águas, nadaram em círculo, esforçaram-se em exibicionismo.

Recolhidos os atletas, seguimos em frente para conhecermos o que seria uma habitação típica da região.  “Oca ou palafita? ” – pensei eu. Nem uma nem outra: sobre pranchas flutuantes, uma pequena casa de madeira, com direito a quintal cercado, com uma vaquinha e um pato manco, vítima das piranhas que havia em redor. Gritinhos de comiseração foram contidos, quando o anfitrião surgiu com uma jiboia que de tão mansa parecia anestesiada.

Sucesso absoluto. Os homens capricharam nas câmeras, as mulheres posaram com o réptil, enquanto o palavroso guia assegurava em inglês/nordestinês: não havia perigo, a enorme cobra estava acostumada, ela viera de um circo.

No passo seguinte, seguimos por um braço de rio em meio à vegetação luxuriante. Passamos pelas primeiras vitórias régias – lindíssimas! Mais além, a areia branca da enseada onde descemos. A poucos metros, uma gigantesca seringueira alteava o tronco majestoso – e nós a abraçamos com espanto e deslumbramento.

Alguns índios surgiram do nada: os homens de calção e cocar; as mulheres vestindo saiotes, algumas carregando lindos curumins ao colo.  O que parecia o chefe portava uma tabela onde se lia o preço cobrado por foto: com o selvagem nu era mais caro.

Compramos artefatos e colares, comemos bijus de tapioca, os mais corajosos experimentaram uma bebida fermentada servida em cuias. Era hora de voltar. A luminosidade se fazia mais branda, pássaros pousavam nas árvores ribeirinhas. A todo vapor seguimos entre plantas aquáticas, mas fomos ultrapassados por canoas motorizadas, que levavam os índios e seus familiares de volta à civilização.

(Publicado no jornal “O POPULAR” de Goiânia em 09 de fevereiro de 2019)