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DE MULHERES E PASTAS

Vantagem da velhice é acompanhar as mudanças que vêm com o tempo. Nesse item, minha geração tem sido privilegiada, tantas e tão espetaculares foram as que presenciamos e vivenciamos. Uma delas é, sem dúvida, o novo estatuto social da mulher, expresso na liberdade com que mesmo as mais jovens ora se expressam e se conduzem.

Para que se chegasse a esse ponto, foram precursoras e batalhadoras as feministas. Não faz tanto tempo assim que mulheres lutavam pelo simples direito de votar. Ainda que, em alguns estados (inclusive em Goiás), tentativas tenham sido feitas nesse sentido, somente passamos a fazê-lo com o Código Eleitoral editado por Getúlio Vargas (1932).

Desde então, mulheres elegeram e foram eleitas para o congresso nacional, assembleias estaduais, câmaras municipais e prefeituras. De alguns anos para cá, cresceu o número de governadoras, desembargadoras, ministras e até uma presidente da República, trazendo consigo a esperança de que a política se renovasse e aperfeiçoasse sob o influxo da presença feminina.

O que, infelizmente, não ocorreu. As mazelas do fazer político persistiram. Se mudança houve, diria que foi para pior, tendo em vista a proliferação das candidatas matrimoniais ou parentais: mulheres que se elegem, ou são nomeadas em razão do parentesco com homens de projeção no cenário político-administrativo.

A defenestrada ex-presidente Dilma Vana Rousseff nomeou muitas mulheres para cargos de primeiro escalão – mas quase todas incompetentes, o que foi agravado pelo fato de que muitas delas são feias, quando não horrorosas. Para refrescar a memória, lembremos algumas, cada qual com sua feiura peculiar: Erenice Guerra, Ideli Salvatti, Gracinha Foster, Eleonora Menicucci, Benedita da Silva... e, naturalmente, Kátia Abreu,  senadora não atingida pela avalanche eleitoral de 2018.

Em dias recentes, a representante tocantinense projetou-se com luz própria – se assim se pode dizer - na sessão preparatória dos trabalhos do Senado. Assim é que, não aceitando que o senador Davi Alcolumbre presidisse os trabalhos, gritou com ele, esbravejou e finalmente tentou tomar (literalmente) para si a pasta que continha a pauta da reunião. Puxa para lá, puxa para cá, D. Kátia saiu vencedora do embate que a mídia exibiu para todo o País. Um show de oportunismo e deselegância.

O impassível (ou cavalheiresco?) presidente “ad hoc” não se alterou e a sessão continuou, até que foi suspensa por deliberação da maioria. Ao final o “desempastado” senador Alcolumbre elegeu-se presidente da Casa. Sem nenhum constrangimento e em sinal de reconciliação, D. Kátia ofertou-lhe flores!

E como ficamos nós, mulheres/eleitoras que ainda desejamos seja maior e melhor a presença feminina na política e na administração pública? A despeito de tudo, esperemos que a Comissão de Ética do Senado cumpra com o seu papel, sem tergiversações nem histrionismos.

(Publicado no jornal “O POPULAR” de Goiânia em 23 de fevereiro de 2019)