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PALAVRAS

Nem todas as minhas são minhas conhecidas.

Presas aqui, ocultam a performance do eu que sou a eu mesmo.

Ensandecidas, me confrontam, me insultam e o eu acabo ferido

Já não é fácil controla-las.

 

Me tomam como um ignóbil ignorante de seus saberes

Me limitam a poucos prazeres

E desvelam a mim toda a minha seca fragilidade.

 

Palavras roucas que me saem como arrotos,

Palavras tolas que me saem no pé, bem na gota,

Palavras chulas que me enfincam bem na nuca,

Palavras de efeito que eu solto como um peido,

Palavras outras que me sugam com suas bocas,

Palavras grandes que são tão desconcertantes.

 

Bem dissimuladas, parecem nada significar

Bem arrojadas, eu sou o objeto de desejo do que fingem falar

Bem reprimidas, não deixam a saia voar

Bem empoderadas, me fazem calar.

 

Não são – porém – palavras vazias

Não dizem nada com nada,

Mas tudo com tudo.

É quando uma pequena abelha simboliza um grande moribundo.

 

Vivo um caldeirão borbulhante

Derramando sopinha de palavras por todas bordas

É palavra pra mais de metro

É significado quem nem sempre acerto.

 

Do lado de lá senta Ela

Toda escutosa,

Me ponho nu de frente pra elas.

Este serviço é meu, Eu sei

Ela apenas incita

O ego delas, então, explode bem na barriga

 

O caça-palavras é bem complexo

Mexe com muitos anexos

E tudo parece querer brincar

 

De repente elas vêm

Em fila uma atrás da outra

A ordem é mera ilusão

O que não querem dizer

Está bem lá no fundo do alçapão

 

A máscara se desfaz

O real se torna imaginário

O escondido passa ser dito

A realidade é rearranjada

A vida é resignificada

 

As palavras se confundem,

Num jogo de saber

Numa mesa de poder

No ato de dizer,

Amor se torna Dor

A Dor o Prazer

O Prazer o Amor

Ai meu Deus, já não se sei o que dizer.

 

O rato quer o queijo

O gato quer o rato

O gato é quem vigia o queijo

O rato mata o gato

O queijo ganha um beijo do rato.