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Discurso na comemorao dos 22 anos da ATLECA

            Acho que o grande mentor da Academia, o filósofo Platão, não imaginou a importância que sua instituição teria no desenvolvimento da forma de pensar do mundo ocidental; talvez tenha imaginado, porque era um sonhador. Acho que Machado de Assis não dimensionou a força de agregação que a ABL teria na cultura brasileira; talvez até tenha, haja vista que foi um visionário. Acho que Eurídice Natal e Silva não pensou que sua semente plantada na cidade de Goiás, em 1904, germinaria nas mãos de seu filho, Colemar Natal e viraria uma respeitável casa de cultura que permanece até hoje; talvez tenha pensado, pois é típico do cerrado a demora para nascer uma semente. Mais do que isso, Rosarita Fleury, Nelly Alves de Almeida e Ana BragaGontijo, não tinham certeza que aquela reunião de 1969 daria fruto; Talvez tivessem, dada a garra com a qual propuseram criar a versão feminina de uma academia de letras e artes. Igualmente, o jovem Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado não previu este encontro de hoje, comemorando 22 anos! Talvez tenha previsto, considerandoa carga de idealismo com a qual chamou a saudosa Maria Emidio Evangelista, assim como o próprio Colemar Natal e Silva, acompanhados deRosarita Fleury, José Mendonça Telles e Geraldo Coelho Vaz para naquele dia 20 de agosto de 1990 criar a Academia Trindadense de Letras, Ciências e Artes – ATLECA.

            Como uma semente de baru, ou de outra planta inóspita, germinou em terra seca, dura e com fortes ventos típicos de mês de agosto, mês de sua fundação. Romper a dura terra, afundar as raízes e crescer alvissareira não foi nada fácil. O descrédito, a falta de apoio, o descaso do poder público e a indiferença foram pesticidas fortes que a jovem ATLECA teve que suportar. Da Subsecretária Regional, ao Sobradinho da Rua 16 de julho, à casa de seu idealizador, ao Educandário Sta. Terezinha e até chegar atual sede, a casa de Cultura Gabriel Alves de Carvalho, o processo foi penoso para seu tronco, para seus galhos, folhas, flores e frutos. Mas como as flores do cerrado se destacam no meio das folhas secas, dos galhos retorcidos e da baixa vegetação, o que a ATLECA produziu nesses últimos 22 anos é digno de nota.

            Por isso, nesta comemoração dos 22 anos, resolvemos homenagear os que presidiram esta casa. Bento Fleury foi presidente por quatro gestões; o arquiteto Félix Reinish esteve à frente numa gestão; a jornalista Dóris Silva Pereira deu sua contribuição por um período; depois foi a vez da grande educadora Iraci Borges que, segundo vários confrades, carregou a Academia nas costas; e, por fim, a contribuição da professora Maria Benta do Carmo Qureiroz, conhecida como a diretora Maricota, do Colégio Pe. Pelágio. Cada a um, a seu modo, deu sua contribuição a esta casa que talvez seja louvada daqui a 50, 300 ou 4.000 anos como hoje fazemos com as academias aqui citadas.

 

            Não tinham certeza, esses acadêmicos, que seus nomes seriam lembrados tantos anos depois. E talvez até tinham, dado o caráter de suas gestões e o ímpeto de suas participações nesta confraria. Seu trabalho foi como adubo que penetra terra, torna-se invisível, some, mas alimenta as raízes e dá força a todos o resto. É sua causa que estamos aqui hoje, todos nós... E tenham a certeza que faremos o possível para manter esta planta viva e alvissareira, embora em tempos tão difíceis. Aliás, cabe a cada um de nós que está aqui hoje reconhecer o trabalho de vocês e dar continuidade como membro, como gestores e como intelectuais. Recebam de todos nós um forte um abraço e um grandíssimo OBRIGADO.