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Alfredo Nasser

A existência fecunda e útil de Alfredo Nasser foi pautada pelas ações nobres e edificantes que tanto engrandeceram a terra goiana e que sustentaram por longo tempo a sua lealdade e seu apego às coisas de Goiás, notadamente a política e a cultura. Enquanto apegava-se ao espiritual, esquecia-se do material. Fez a opção pelo pouco e pelos simples, daí porque sofreu nesse mundo de aparências e hipocrisias.

 

Alfredo Nasser nasceu em 30 de abril de 1905, na capital de São Paulo, filho dos libaneses Miguel Nasser e Abla Isaac Nasser. Em 1906, mudou-se para Goiás, sendo em Caiapônia o seu primeiro berço; o seu florescer da vida e suas primeiras ilusões humanas. Ficou órfão de mãe bem pequeno e passou a residir com a irmã, que foi sua segunda mãe. Fez o curso primário em Tupaciguara, antiga Abadia do Bom Sucesso, no Triângulo Mineiro.

 

Fez o ginásio em Uberlândia, antiga São Pedro de Uberabinha e terminou essa fase de estudos em Ribeirão Preto. Ainda adolescente, iniciou seu trabalho junto ao jornal Diário de Noticias e no Correio da Manhã, ambos no Rio de Janeiro, então Capital Federal.

 

Depois desse período mudou-se para a antiga capital de Goiás onde prestou o serviço militar e presenciou os difíceis dias dos estertores da República Velha com o fim do regime Caiadista e das lutas pelo poder. Nesse tempo, foi professor de filosofia do antigo Lyceu de Goiás, convivendo com os antigos mestres do passado como Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, Agnello Arlíngton Fleury Curado e Alcide Celso Ramos Jubé.

 

Nesse período, a velha Cidade de Goiás vivia momentos de acentuada agitação social e efervescente movimentação jornalística, insuflados pelos entrechoques políticos que se verificavam. Atuando fortemente na imprensa, Alfredo Nasser pouco a pouco foi se colocando como articulista, redigindo inflamadas matérias para os jornais O Democrata que foi órgão do Partido Democrata e que foi fundado em 1916 por Antonio Ramos Caiado (Totó Caiado) e tinha por principais redatores Luiz Guedes de Amorim, Joviano de Castro, Gercino Monteiro, Theódulo de Castro e Leo Lynce. Também Alfredo Nasser escreveu para os jornais A Razão e A Coligação, ambos de caráter político partidário.

 

Sua amizade fecunda era com Otávio Monteiro Guimarães, pai da cronista Nice Monteiro Daher (1915-2011) numa convivência diária, presente, respeitosa e carismática por tantos anos, na antiga Rua 13 de maio, Vila Boa.

 

Alfredo Nasser já em Goiânia, a partir dos anos 1940, foi diretor do Jornal do Povo que era órgão oficial da UDN e destacou-se nas lutas oposicionistas a Getúlio Vargas. Mais tarde, 1952, fundou o Jornal de Notícias como órgão do Partido Social Progressista. Ainda nas lides da imprensa, foi grande incentivador do Cinco de Março que foi fundado em setembro de 1959 por Batista Custódio e Thelmo de Faria. Nas oficinas gráficas do Jornal de Notícias rodava-se o jornal dos jovens de Goiás que era o brado contra os desmandos governamentais. Alfredo Nasser sofria pressões, mas nada abalava a paz que em nele reinava.

 

Há 60 anos nascia o seu sonho de um jornal que fosse porta voz dos excluídos e daqueles que sofriam perseguições de duros regimes e autoritarismos exacerbados tão presentes em Goiás. E como o Jornal de Notícias cumpriu esse papel!

 

De fato, Alfredo Nasser escreveu muito sobre a sociedade e sobre os valores da goianidade, lutando pelo povo goiano e contra a exclusão social e o descaso político da gente do Brasil Central. Por isso seu nome nunca foi esquecido. Está perpetuado em centenas de ruas, bairros, escolas, universidades e instituições por esse Goiás inteiro.

 

No ano de 1929, Alfredo Nasser foi eleito Deputado Estadual e Membro da Constituição Estadual de 1934, líder das oposições goianas, isto no alvorecer de seus 29 anos. Perseguido em Ipameri, prestou, em 1937, um concurso Federal no DASP, sendo diretor da Revista do Serviço Público, responsável pelo primeiro curso de Administração pública criada no Brasil.

 

Em 1945, retornou a Goiás e ingressou na UDN juntamente com outros grandes nomes como Hélio de Britto (1909 – 2002) e mais tarde presidiu o PSP. Com o ilustre médico vilaboense, depois prefeito de Goiânia, Alfredo Nasser também constituiu forte laço de amizade até o fim, como destacou a escritora Célia Coutinho Seixo de Britto (1914-1994).

 

Em 1947, Alfredo Nasser elegeu-se Senador, autor do projeto que federalizou a Faculdade de Direito de Goiás, o que lhe valeu o título de Doutor Honoris Causa.

 

Já em 1951 foi escolhido como membro do Conselho Nacional de Economia. De 1954 a 1958 foi professor do Curso de Fundamentos da Administração Pública e Curso de oratória na Faculdade de Direito Federal. Elegeu-se Deputado Federal em 1958, quando muito auxiliou na fundação da Universidade Federal de Goiás. Em 1961, foi Ministro da Justiça no regime Parlamentarista e elegeu-se para a Câmara Federal em 1962.

 

Com o acúmulo de atividades em todas as esferas ficou gravemente enfermo, estando onze meses adoentado, vindo a falecer em 21 de novembro de 1965, aos 60 anos de idade. Era muita coisa para um único coração que não se esvaziava e que não descansava.

 

Alfredo Nasser morreu trabalhando. Nunca teve descanso! Dos poucos haveres que deixou, havia muita dignidade, muita honestidade. Passou pelo poder sem se corromper. Viveu entre os pobres, morreu pobre, ele, que chegou a dirigir a nação!

 

O seu exemplo aos dias de hoje, de tantas e conflitantes lutas em prol da dignidade humana e pela extinção da corrupção, é o mais lídimo testemunho de vida limpa, de mãos limpas, de se machucar com a dor alheia.

 

O seu sonho do Jornal de Notícias jamais feneceu!