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DISCURSO DO PRESIDENTE DA ATLECA

Quero iniciar minha fala cumprimentando os presentes e agradecendo profundamente por esta homenagem. Evoco aqui a frase de nosso fundador, Bento Fleury, que disse certa ocasião: “Como eu gosto de passear pelas ruas de Trindade”. E creio que foi nesses “passeios” que ele pensou em agregar os intelectuais e fundar a ATLECA há 25 anos. Seu projeto tornou-se uma realidade cuja edificação se consolida com todos nós, membros, e vocês que reconhecem o valor de nossa instituição. Desde os casarões que o poeta Bento visualizava em suas andanças, até os paralelepípedos, todos evocavam o valor da tradição, da história e da cultura. E é exatamente o que vejo aqui nesta noite, nesta Loja. Saboreio o gosto pela tradição, sinto cheiro do conhecimento e admiro sua edificação.

Nascida nas construções mesapotâmicas dos tempos antigos ou na modernidade com a nova arqueologia e a nova arquitetura do conhecimento pensada pelos intelectuais franceses, a ideia do universo como uma grande edificação permanece bastante atual. Como é esta a simbologia que sustenta esta instituição, valho-me, portanto, da licença poética para dizer que cada um de nós é um tijolo, portanto uma peça importante da estrutura que mantém a civilização humana ainda de pé. A cultura – incluindo todas as suas manifestações, desde o artesanato até a música mais erudita, o teatro shakespereano ou a folia de Reis, Ravel, Taichokvsky ou Luiz Gonzaga – serve de reboco, pintura e detalhamento do edifício cultural humano. Embora saibamos que por trás de uma parede há o barro, o ferro e toda a estrutura, quando olhamos vemos e apreciamos apenas o que se nos aparece. É a estética que nos proporciona uma apreciação do real. Uma relação emotiva com os objetos e que, afinal, depura os sentimentos e aprimora as pessoas. E é exatamente disso que a ATLECA – Academia Trindadense de Letras, Ciências e Artes – tem-se ocupado nesses 25 anos de existência.

 

Se vocês, operários do Grande Arquiteto, tem cuidado da estrutura, muitas vezes sem aparecer, sem holofote, palmas ou glorificações, mas atuando nos bastidores, nós cuidamos enfrentamos o palco e procuramos contribuir com a parte estética, no acabamento do que podemos chamar de projeto humano. Por isso considero que nossas instituições se complementam e que, embora agindo de forma distinta, participa de uma mesma edificação. Talvez essa seja razão pela qual, o confrade Ali Kalil, participando das duas ao mesmo tempo, soube servir de ponte e nos unir num propósito nobre que é o deste dia. Essa comenda, pela qual agradecemos profundamente, é o reconhecimento de que estamos no rumo certo, contribuindo com tarefa a nós proposta desde sua criação. Esperamos com isso que nossas relações possam contribuir com outra construção muito mais difícil o complicada: a de construir e promover a cultura nesta cidade e o prazer pela riqueza cultural. E como resultado talvez tenhamos uma geração mais sensível, mais reflexiva, mais culta e menos deturpada e corrupta como a atual. É a função que a cultura, a arte (que nós cultuamos) e os princípios místico-esotéricos (que vocês cultuam) possui nessa empreitada. Sem isso, o edifício estará fatalmente condenado e prestes a ruir. Que o Grande Arquiteto nos ajude.

Muito obrigado.

Autor: Wilson Alves de Paiva