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AMAR

Quanto mais penso que existo,

desisto,

como tantos mais.

 

Há uma dimensão maior,

além de nós,

dos limites do ser

ou do  dever ser.

 

Compreendi muito cedo

que a verdade não está aqui,

nem ali,

no tempo ou  no espaço distante,

em qualquer instante...

 

Está dentro de nós,

só.

 

É quando perco a noção de tudo;

ensimesmado,

liberto-me, até de mim.

 

Meus sentidos e sentimentos

não fazem mais sentido;

a vontade dilui-se em nada,

amorfa, atemporal.

 

Meu ser desfeito

esvai-se no universo...

 

Dôo-me ao infinito.

 

Então compreendo a unidade suprema

que nos liga à infinidade.

 

Compreendo o amor:

substantivo e verbo

que se confundem n'alma,

sem início, sem fim,

nosso senhor,

o único Senhor.

 

Amar! - verbo de um só tempo,

infinito, impessoal.

 

Amor! -substantivo atemporal,

amoral, sem gênero,

sem número, sem grau.

 

Amor, amar...

que importa!

 

Ama-se apenas...

 

Apenas amo,

submisso ao Senhor,

à sua essência,

 

ao Amor!

Autor: Floriano Freitas Filho