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A Igreja não se calará!

A Igreja, como fiel depositária dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, principalmente quando Ele afirma, “Vinde a mim, vós que andais cansados e curvados, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 29), não se omitirá diante dos acontecimentos obscuros que estão sendo tramados na política partidária brasileira, acarretando sofrimentos e perdas de direitos ao povo brasileiro, principalmente aos mais pobres.

Sendo assim, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou na última quinta-feira (23/03) uma nota convocando “os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados”. Pois, para a CNBB, “nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016, não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica”.

Em sua nota, a CNBB demonstra “apreensão” a essa proposta de reforma da Previdência, embasada no artigo 6º da Constituição Federal de 1988, o qual afirma: -  “Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os direitos sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio”. E diz mais: - “O debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade”.

A CNBB propõe algo certo e necessário, como  o auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência. Isso porque, “essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social – Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência”. A nota encerra com a citação de advertência do Papa Francisco: - “Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito — a aposentadoria é um direito! — porque disto é que se trata".

Autor: Paulo Afonso Tavares